Self fidelity



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“Yo te quiero Roberto, es así de simple. Sos gruñon, hermitaño, sensible, bueno y valiente, y ademas tenes esa mirada que me mata.” (Um cuento chino)

Por outras vezes, em outros momentos escrevi sobre a ‘dor e a delícia de ser o que é’. Hoje estou aqui de novo pensando sobre isso, escrevendo sobre isso, mas me sentindo subitamente diferente. Nas primeiras vezes em que escrevi textos sobre esse tema eu teci uma quase-defesa. E ao olhar pra trás eu chego a me compreender lançando àquela Sandra um olhar de piedade. Sim, piedade. Como eu podia ser tão vulnerável sendo a pessoa forte que sempre fui? Como eu pude me abandonar de tal forma e permitir que outrem me julgasse ou tentasse me dar um tamanho que não é o meu somente pra poder me encaixar naquele mundinho ‘enlatado’ no qual eu jamais caberia? E eu me incomodava com isso - mesmo sabendo que jamais conseguiria mudar - não somente porque não me encaixava, mas também porque todos os dedos que, em riste, me criticavam tentavam me lançar a quota necessária de culpa pela minha esquisitice. Sim. Por anos eu ouvi que amava pouco, que me importava pouco, que socializava pouco. E esse ‘pouco’ constante era visto como sinal de desamor, de arrogância, de falta de interesse, de excentricidade. Aqui eu paro um minuto, respiro fundo e sorrio. Sorrio porque se há alguém nesse mundo que ame desvairadamente esse alguém sou eu. Amo desvairadamente inclusive aqueles que não conseguem entender meu amor e aqueles que sequer conhecem o meu amor, tenros e inocentes ainda na vida. Por trás de meus silêncios e da minha solidão há um vendaval de sentimentos que certamente só se tornam visíveis para aqueles que conhecem minha alma.

E não é à toa que meus amigos mais próximos são pessoas extremamente autênticas e, de certa forma, incompreendidas. Não, não somos um bando de loucos de cabelos desgrenhados. Somos figuras absolutamente comuns aos olhos. Passamos despercebidos na multidão. Mas há algo genuíno dentro de nós. Algo muito cru, muito fiel a si mesmo, muito avesso aos modismos e aos joguinhos sociais.

Há alguns anos atrás quando eu a Karina já escrevíamos e o fazíamos com freqüência, eu convidei a Lis a escrever. Ela relutou, mas acabou abrindo um blog. Escreveu lá poucos textos. Mas são os melhores. Às vezes ainda volto lá e os releio. E na semana passada eu admiti, entre milhares de pedidos pra que ela voltasse a escrever, que sentia uma inveja branca dos textos dela por eles serem tão autênticos, tão verdadeiros, tão libertos. E ouvi uma de suas respostas simples, diretas e sinceras: De que adiantaria escrever se não fosse dessa forma? De que adiantaria viver se não fosse sendo fiéis a nós mesmos? Sim, ela está certa. E eu, mais uma vez, aprendendo com ela.

Então hoje decidi voltar a escrever no blog. Sem me preocupar com a censura, com quem vai aparecer insanamente no rastreador de visitantes, com quem vai tirar conclusões mirabolantes sobre a minha sanidade mental, com os meus momentos de alegria, tristeza ou preocupação. Não espero ser lida vorazmente, sequer espero por comentários. Espero poder escrever ao meu modo, sobre o que quiser e sentir, sem grandes preocupações estéticas e sem a necessidade cruel de ter que fechar cada texto de modo que todos pensem: Ok, ela está bem. Não, às vezes não estou. Mas é assim que caminhamos. Entre certezas e enganos é que crescemos. É, de novo, a certeza da dor e da delícia de sermos o que somos.

2 comentários:

Léo at: Segunda-feira, Fevereiro 06, 2012 disse...

Lindo texto, retorno em grande estilo! O filme é muito bom, mas não me diga que você é o Roberto, por Deus..rs
Bjos!

Du at: Segunda-feira, Fevereiro 06, 2012 disse...

Que bom... :)

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